quarta-feira, 17 de setembro de 2025

78 milhões de brasileiros endividados: até quando vamos normalizar a inadimplência?

 


O Brasil acaba de bater um recorde vergonhoso: mais de 78 milhões de pessoas estão com o nome sujo. É o maior número dos últimos nove anos. Sabe o que isso significa? Que quase metade da população adulta vive com restrições de crédito, sem conseguir comprar a prazo, pegar um empréstimo ou sequer renegociar com dignidade.


A pergunta é: como chegamos até aqui?


O peso dos juros abusivos


Não é por falta de esforço. O brasileiro trabalha, paga imposto, tenta se virar. O problema é que o dinheiro não rende. O salário não acompanha a inflação, o custo de vida só aumenta e, quando a conta aperta, o que resta? O cartão de crédito.


E aí começa o pesadelo: juros que ultrapassam 400% ao ano e transformam dívidas pequenas em buracos sem fundo. Um verdadeiro ciclo de aprisionamento financeiro.


As apostas on-line como novo vilão


E como se não bastasse, temos um problema mais recente: as apostas on-line. Aplicativos que seduzem com a promessa de dinheiro fácil, mas que têm levado milhares de pessoas ao endividamento, destruindo famílias inteiras em silêncio.


A falta de regulação nesse setor só piora a situação. É um cassino digital aberto 24 horas por dia, ao alcance de qualquer clique.


Um futuro vendido em parcelas


Não dá mais para normalizar isso. A inadimplência virou rotina, mas rotina não pode ser sinônimo de injustiça. O povo não quer viver endividado — quer viver com dignidade. Quer pagar suas contas e ainda ter um mínimo para sonhar com o futuro.


Chegou a hora de discutir seriamente educação financeira, limites para juros abusivos e uma regulação firme sobre esse cassino digital que cresce sem freio no país. Porque, do jeito que está, o futuro do brasileiro continua sendo vendido em parcelas impossíveis de quitar.


✍️ Este artigo reflete a opinião de Bruno Viana, editor do Blog do Bruno Viana.

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