O Brasil acaba de bater um recorde vergonhoso: mais de 78 milhões de pessoas estão com o nome sujo. É o maior número dos últimos nove anos. Sabe o que isso significa? Que quase metade da população adulta vive com restrições de crédito, sem conseguir comprar a prazo, pegar um empréstimo ou sequer renegociar com dignidade.
A pergunta é: como chegamos até aqui?
O peso dos juros abusivos
Não é por falta de esforço. O brasileiro trabalha, paga imposto, tenta se virar. O problema é que o dinheiro não rende. O salário não acompanha a inflação, o custo de vida só aumenta e, quando a conta aperta, o que resta? O cartão de crédito.
E aí começa o pesadelo: juros que ultrapassam 400% ao ano e transformam dívidas pequenas em buracos sem fundo. Um verdadeiro ciclo de aprisionamento financeiro.
As apostas on-line como novo vilão
E como se não bastasse, temos um problema mais recente: as apostas on-line. Aplicativos que seduzem com a promessa de dinheiro fácil, mas que têm levado milhares de pessoas ao endividamento, destruindo famílias inteiras em silêncio.
A falta de regulação nesse setor só piora a situação. É um cassino digital aberto 24 horas por dia, ao alcance de qualquer clique.
Um futuro vendido em parcelas
Não dá mais para normalizar isso. A inadimplência virou rotina, mas rotina não pode ser sinônimo de injustiça. O povo não quer viver endividado — quer viver com dignidade. Quer pagar suas contas e ainda ter um mínimo para sonhar com o futuro.
Chegou a hora de discutir seriamente educação financeira, limites para juros abusivos e uma regulação firme sobre esse cassino digital que cresce sem freio no país. Porque, do jeito que está, o futuro do brasileiro continua sendo vendido em parcelas impossíveis de quitar.
✍️ Este artigo reflete a opinião de Bruno Viana, editor do Blog do Bruno Viana.
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